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Alguns nomes que fazem a nossa literatura atual indicam livros que os marcaram em 2012, a pedido do Blog da Macondo. Confira abaixo as obras citadas:

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Antônio Xerxenesky, autor de Areia nos dentes (Não editora, 2008; Rocco, 2010) e A página assombrada por fantasmas (Rocco, 2011), elegeu o mais recente livro de poemas de Angélica Freitas, Um útero é do tamanho de um punho (Cosac Naify, 2012):

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“De feminismo combativo, irreverência selvagem e humanismo desarmador, o livro da Angélica parece diferente de todos outros livros de poesia que li recentemente. Sem afetações, faz poemas com auxílio do autocompletar do Google”.

Lançado em 2011 e sem previsão de publicação no Brasil, Leaving the atocha station (Coffe House Press), de Ben Lerner, também ocupa a lista* de melhores leituras de Xerxenesky durante este ano: “[…] tem cara de ‘romance de formação tradicional’, mas apresenta discussões sobre arte contemporânea e a recorrente história da crise da representação e do fim da experiência, o que o coloca uns degraus acima de outros romances de formação lançados recentemente”:

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Luisa Geisler, vencedora do Prêmio SESC de Literatura por dois anos consecutivos (em 2010, na categoria contos, com o livro Contos de mentira e em 2011, quando venceu com o romance Quiçá), indica Os enamoramentos (Companhia das Letras), do espanhol Javier Marías:

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Sobre sua experiência ao ler o romance, ela acrescenta: “Eu não conhecia nada dele e resolvi mudar isso em 2012. O livro me marcou pela história, e também pela forma como foi escrito. É belíssimo”.

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André de Leones, que neste ano participou da mesa “Escritas da finitude” com Altair Martins e Carlos de Brito e Melo na FLIP, também fez suas indicações. O autor de Hoje está um dia morto (Record, 2006) e Dentes Negros (Rocco, 2011) afirma:

“O ano que termina foi excelente em termos de leituras. É complicado escolher só um livro. Assim, opto por citar dois. O primeiro deles é ‘Guerra e Paz‘ [Cosac Naify], de Liev Tolstói, lançado por aqui em sua primeira tradução direta do russo (por Rubens Figueiredo). O volume me manteve ocupado nos dois primeiros meses do ano. Inúmeras coisas me impressionaram no livro, sobretudo a facilidade com que Tolstói muda o foco narrativo e a sua habilidade de encaixar digressões sem, com isso, perder o interesse do leitor, estejamos no meio da Batalha de Borodinó ou em um salão da nobreza. A outra leitura marcante foi a da nova tradução do ‘Ulysses‘ [Companhia das Letras], de James Joyce, por Caetano W. Galindo. Acho importante citar o ‘Ulysses’ porque muita bobagem foi e tem sido dita a seu respeito, de que seria um romance estéril, meramente ‘estiloso’ e, no limite, ilegível. É, claro, uma leitura difícil, que exige muito do leitor, mas poucas são tão recompensadoras, engraçadas e emocionantes. É, ao mesmo tempo, a culminação da forma do romance e a instauração de novos caminhos, inúmeros outros. Passado e futuro compaginados. Acho lindo”.

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Escritora de Magnólia (finalista do Prêmio Jabuti de 2006) e Era esse meu rosto (Record, 2012), dentre vários outros livros de filosofia, Marcia Tiburi elegeu, como uma leitura marcante do seu ano, o romance O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam (Record, 2012), de Evandro Affonso Ferreira.

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Em resenha feita no mês de maio para o seu blog, Filosofia cinza, Marcia diz que “o efeito [da leitura] é o aprendizado da coragem com que ele erigiu essas páginas fazendo ver que, para além da esperança, ainda há a chance da literatura”.

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Daniel Galera, que teve os direitos de publicação do seu recém-lançado romance – Barba ensopada de sangue (Companhia das Letras) – vendidos para oito países, indicou um livro ainda não traduzido no Brasil. Felizmente, essa tarefa ficará a cargo dele e de Daniel Pellizari para o ano que vem. Sobre o romance, Galera diz: “Um livro que me marcou bastante em 2012 foi o romance ‘Skagboys‘ do Irvine Welsh, que é uma ‘prequel’ do seu famoso ‘Trainspotting‘. É o melhor livro que Welsh publica em muitos anos, e talvez seja ainda melhor que o próprio ‘Trainspotting‘, engraçado, triste e cheio de grandes personagens”.

2012 também foi um ano para releituras. Felipe Pena, autor de diversos livros e jurado da última edição do Prêmio Machado de Assis (FNB), destaca a Arte poética de Aristóteles como uma de suas leituras, bem como grande parte da obra de Freud. A escolha se deve ao curso de roteiro para a TV que será ministrado por Pena no mês que vem (para maiores informações, clique aqui).

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Para encerrar, O sonâmbulo amador (Alfaguara, 2012), de José Luiz Passos, foi a escolha de Ricardo Lísias, vencedor do Prêmio APCA deste ano com o romance O céu dos suicidas.

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*Os dizeres de Xerxenesky sobre as respectivas obras foram reproduzidos, com a devida autorização, de um post que o escritor fez em seu blog. Clique aqui para ler na íntegra.

Créditos referentes às imagens dos autores: [x] [x] [x] [x] [x] [x] [x]

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