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retrospectiva

Nos últimos 12 meses, muitas novidades e polêmicas serviram para aquecer nosso modesto mercado editorial. Enquanto, em 2011, Padre Marcelo Rossi liderou as vendas com seu Ágape, neste ano, a cena foi roubada pela nem-tão-ortodoxa-assim trilogia de E. L. James, que garantiu mais de 500 mil exemplares vendidos apenas com o primeiro volume, 50 tons de cinza.

Quem também esteve em destaque foi Jorge Amado, por conta de seu centenário. Entre as comemorações, uma nova versão de Gabriela, folhetim adaptado do romance Gabriela, Cravo e Canela, foi ao ar na Rede Globo – e, no início de 2013, uma biografia do escritor, assinada por Josélia Aguiar, será lançada pelo selo Três estrelas, do grupo Folha. Nelson Rodrigues, outro escritor nascido em 1912, ganhou a exposição Nelson Brasil Rodrigues – 100 anos do Anjo Pornográfico, aberta durante todo o ano na Funarte do Rio de Janeiro. Carlos Drummond de Andrade, por sua vez, teve sua obra relançada pela Companhia das Letras. O poeta foi o homenageado desta 10ª edição da FLIP.

Ainda sobre a Festa Literária Internacional de Paraty, foi durante o evento que a revista Granta lançou um número com os 20 Melhores Jovens Autores Brasileiros. Entre os selecionados estão Daniel Galera, Carol Bensimon, Carola Saavedra, Michel Laub, Antônio Prata e Ricardo Lísias.

O prêmio Jabuti, uma vez mais, causou polêmica. Em decorrência de uma alteração no regulamento, que deixou de estabelecer 8 como nota mínima para as obras finalistas, Rodrigo Gurgel (vulgo “jurado C”) distribuiu diversas notas baixas, inclusive para alguns dos autores considerados favoritos. O vencedor da categoria romance foi Oscar Nakasato, com sua obra de estreia Nihonjin, publicado pela editora Benvirá.

Se Guimarães Rosa estava certo ao dizer que “pão ou pães, é questão de opiniães”, a declaração que Paulo Coelho deu sobre Ulysses (lançado em maio pela Companhia das Letras, em nova tradução) pareceu não agradar muito aos críticos e leitores de James Joyce. Segundo o imortal da ABL, “Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”.

Saldo negativo: 2012 também foi um ano de algumas perdas para a nossa literatura. Faleceram Autran Dourado, Décio Pignatari, Millôr Fernandes e Bartolomeu Campos de Queirós, que venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com o romance Vermelho Amargo (Cosac Naify).

Para terminar, a aparição surpresa do recluso Raduan Nassar, durante  a Balada literária, que homenageava o escritor neste sétimo ano, é digna de nota. Aos que não sabem, Raduan deixou a literatura há décadas e nunca foi adepto da exposição pública (endossando o time formado por Dalton Trevisan e Rubem Fonseca…).

2013:

O ano nem começou, mas já é possível apostar em alguns assuntos que são destaques garantidos para os próximos meses. A chegada da Amazon no país é um deles. A partir de hoje, o leitor digital Kindle entra oficialmente no mercado. Embora o êxito dos e-books seja tema de infinitas especulações, aos poucos as editoras se rendem ao formato e aguardam pela reação dos leitores. O Kobo, que concorrerá com o Kindle, também já chegou e está sendo vendido na Livraria Cultura.

O Brasil será o país convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt, o que deve impulsionar a publicação dos nossos autores em outros países.

Graciliano Ramos foi escolhido como o próximo homenageado da FLIP. A Festa já tem data para acontecer: começa dia 03 e segue até o dia 07 de julho!

Entre os escritores que terão seus respectivos centenários comemorados estão Lúcio Cardoso e Vinícius de Moraes.

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