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Os jornalistas menos experientes costumam perguntar isto a quem escreve, para ganhar tempo, enquanto pensam no que vão perguntar em seguida. Há quem assuma, com ar trágico, que a literatura é um destino: “escrevo para não morrer”. Outros fingem desvalorizar o próprio ofício: “escrevo porque não sei dançar”. Finalmente existem aqueles, raros, que preferem dizer a verdade: “escrevo para que gostem de mim” (o português José Riço Direitinho), ou, “escrevo porque não tenho olhos verdes” (o brasileiro Lúcio Cardoso). Podia ter respondido alguma coisa deste gênero mas decidi pensar um pouco, como se a pergunta fosse séria, e para minha própria surpresa encontrei um bom motivo: “Escrevo porque quero saber o fim”. Começo uma história e depois continuo a escrever porque tenho de saber como termina.

(Um estranho em Goa)

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