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A Globo Livros lançou, recentemente, mais um título para a coleção de Hilda Hilst. Trata-se de uma antologia que reúne aforismos retirados da prosa de ficção da escritora. A organização ficou por conta de Luisa Destri, jornalista, mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp com a dissertação “De tua sábia ausência: a poesia de Hilda Hilst e a tradição lírica amorosa” e coautora de “Por que ler Hilda Hilst”, livro também publicado pela Globo Livros, em 2010.

Destri, na apresentação, mostra-se à vontade com a produção de Hilst, demonstrando estar familiarizada, por exemplo, quando de sua observação acerca dos narradores da autora, afirmando que por parte destes “há um desacordo profundo entre a autoimagem do sujeito e a forma que sua voz (não) é recebida pelo mundo”.

Em outro trecho, diz que “além de haver nos livros da autora nuanças que os fragmentos jamais poderão abarcar, esta obra quer, como todas as outras, que o leitor a frequente – embora simule sempre despachá-lo”.

A antologia é dividida em onze partes – cada uma com um poema introdutório, revelando outra faceta provida igualmente de riqueza estética -, responsáveis pela abrangência das temáticas mais recorrentes na obra de Hilda Hilst. Em “Ouso pensar”, “Corja humana”, “A tarefa do escritor”, “A língua é matéria vibrátil”, “O ofício do escritor”, “Mulheres”, “Esse aberto do peito”, “Pai”, “Cara cavada”, “Morte” e “Ter sido” figuram uma vasta seleção de excertos que relembram o – mais vasto ainda – talento da escritora.

Abaixo, seguem alguns exemplos retirados de “Uma superfície de gelo ancorada no riso” que só reforçam a grandeza de Hilda Hilst:

Quem sabe se a minha tristeza é apenas a impaciência de uma espera? (FF, 131)

Às vezes, agarramo-nos às pedras, outras vezes apenas descansamos sobre elas. Uma ou outra desaba sobre nossas caras se olhamos para o Alto. (CO, 54)

Lutam sempre. Vivem e morrem. É o que acontece aos humanos. Não há nada além disso. (FF, 137)

Desperdícios sim, tentar compor o discurso sem saber do seu começo e do seu fim ou o porquê da necessidade de compor o discurso, o porquê de tentar situar-se, é como segurar o centro de uma corda sobre o abismo e nem saber como é que se foi parar ali, se vamos para a esquerda ou para a direita, ao redor a névoa, abaixo um ronco, ou cima? Água? Vozes? Naves? (OSD, 72)

Uma superfície de gelo ancorada no riso – Hilda Hilst

Editora: Globo Livros

Páginas: 152

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