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Dentre todos os nomes que recebem destaque no cenário da literatura brasileira contemporânea, certamente, o de Marcelino Freire é um dos mais expressivos. No último mês de novembro, tive a oportunidade de presenciar a sexta edição da Balada literária, evento criado pelo próprio e que conta com a presença de diversos artistas. Lá, aproveitei e adquiri meu exemplar de seu livro de contos Amar é crime, lançado em 2010, pelo selo Edith.

Como já vinha demonstrando nas obras anteriores, o autor exerce o domínio que lhe rendeu o prêmio Jabuti, em 2006, por Contos negreiros. A cadência que sua prosa tão peculiar possui soa inerente ao conjunto de contos apresentados. A capacidade de experimentar e garantir vozes a diversos narradores, a linguagem que não se encerra em si, mas ecoa no interior de cada leitor após a leitura de suas histórias. Tudo está lá.

Marcelino parece brincar, ainda, com a pressão que os autores sofrem para que escrevam um romance. No índice, entre um “Para começar” (Um poeminha de amor concreto) e um “Para terminar” (30 microcontos para você ler no intervalo da novela), cada conto equivale a um “Capítulo”. Se as narrativas têm como focos um cliente de supermercado que em muito se assemelha ao pastor da funcionária que trabalha no caixa do estabelecimento, um velho doente ou uma gorda de 240 quilos, o amor em suas mais variadas formas e ausências faz-se uma constante.

Em um momento no qual tanto se busca discernir/reconhecer um autor pela velha, inalcançável e utópica busca da originalidade em seus trabalhos, eis que Marcelino se firma como um contista que transborda estilo, rima e bom humor.

Amar é crime – Marcelino Freire

Editora: Edith

Páginas: 159

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