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É com muito prazer que o blog da revista Macondo anuncia a sua primeira promoção!

Motivados pelos grandes escritores (e escritoras!) que fazem de Portugal uma nação que comporta inúmeros clássicos da literatura, decidimos por realizar o sorteio de dois exemplares do livro O dom, do escritor contemporâneo Jorge Reis-Sá. Saiba mais sobre a obra e o regulamento da promoção abaixo:


REGULAMENTO:

  1. Pode participar da promoção todo e qualquer leitor que resida em solo brasileiro.
  2. Para concorrer, basta escrever uma resenha sobre qualquer obra que figure no panorama da literatura portuguesa.
  3. A resenha não deverá ultrapassar os 3.500 caracteres (com espaços).
  4. As melhores resenhas serão escolhidas e publicadas na terceira edição da revista Macondo; ao participar da promoção, o autor automaticamente autoriza que seu texto possa vir a ser publicado.
  5. A resenha deverá ser enviada, em anexo, para blogdamacondo@gmail.com
  6. Após enviar o e-mail, aguardar uma resposta com um número – cada participante receberá um e é com ele que concorrerá no sorteio, via Random.org
  7. O prazo para participar da promoção se encerra às 18h (horário de Brasília) do dia 11 de setembro de 2011.
  8. Sortearemos dois exemplares do livro: um, entre todos os participantes, e outro dentre os autores das cinco melhores resenhas (que serão avisados previamente e receberão o número referente a esse sorteio via e-mail), de acordo com a classificação estabelecida pelos editores da revista.
  9. Para aumentar as suas chances: divulgue a promoção via twitter, facebook ou blog e acrescente o link no e-mail da resenha (aguarde o recebimento de um número extra para concorrer ao sorteio)
  10. Caso não consigamos estabelecer contato com o(s) sorteado(s) em até 7 dias, realizaremos um novo sorteio. E ainda: caso o número sorteado para um dos livros seja referente a um link de divulgação, e este não se encontre mais disponível, também realizaremos outro sorteio.

A OBRA:

Jorge Reis-Sá nasceu em Vila Nova de Famalicão, Portugal, em 1977. Estudou biologia. É editor, responsável pelas Quasi Edições. Publicou poesia (Biologia do homem, Livro de estimação, o primeiro publicado no Brasil, em 2005) e prosa (Por ser preciso e Terra). Seu primeiro romance, Todos os dias, foi considerado pela revista portuguesa Os Meus Livros um dos livros do ano de 2006.

Sinopse: Quem é o homem do Dom? Neste livro misteriosos acontecimentos, desencadeados por um evento, expõem as ânsias, as alegrias, os acertos e os desesperos de homens e mulheres que estão confinados num mesmo espaço.

Trecho: 

[…] Porque foi assim: naquele ar frio de Inverno, com as nuvens a voarem baixo e com o vento a alta velocidade, eles desapareceram. Ou transformaram-se. Isso, sim, ou se transformaram em algo de impossível e incompreensível. Eles foram contas no chão, negras de tanta luz no seu início, baças de tão negras no final.

Os corpos a decomporem-se para dentro, portanto. A definharem. A morte, o desaparecimento, chamem-lhe apenas agonia e dor última de quem está a ser comido vivo pelo próprio universo. Os corpos foram inseridos dentro do seu ponto mais pequeno e brilhante e, por uma última e única vez, explosivos na perfeição de uma conta. Uma conta, sim. Daquelas que se colocam nos colares e nas pulseiras. Sim, uma esfera negra e baça, pequena e única, com um pequeno buraco no seu centro, pronta para que algo a trespassasse e unisse.

Ninguém saiu, diga-se. E eles todos desapareceram na sua conta. Ficou apenas, que eu tenha conseguido ver por estarem suficientemente perto da minha visão, a mãe, a filha, os recém-casados separados por uns trinta centímetros e o rapaz, mais perto, como se estendesse a mão que já não tinha a quem queria salvar.

A mais pura verdade aquela a que eu assisti deste segundo andar e que me fez pasmar, vomitar, maravilhar, imaginar o horror mais vezes e mais vezes e mais vezes. E por fim aceitar, perceber, sorrir, querer entender. As pessoas que estavam lá fora, pelo menos as do meu ângulo de visão – que se estendia desde o centro comercial, adro e avenida abaixo, até ao rio – desapareceram em contas. E eu cá fiquei protegido não sabia ainda porquê, com os gritos histéricos daqueles que tiveram a sorte de, no preciso momento em que o vento trouxe com mais força as nuvens baixas, se encontrarem às compras ou em descanso dentro do centro comercial.

Mas mais ainda. Porque éramos pasmo e mais pasmo quando vimos, todos e com os olhos que um dia também serão outra coisa, um homem. Vinha caminhando avenida acima. E, silente e mais pasmado do que nós, coleccionando cada conta que encontrava na mão, acariciando-a como se se tratasse do mais precioso tesouro, incompreensivelmente calmo, incompreensivelmente sem compreender.

Pegou nas contas dos recém-casados, eu vi. Pegou depois nos corpos feitos esfera da mãe e da filha. Traria já uma mão cheia de contas quando levantou a cabeça, me fitou olhos nos olhos para dentro do centro comercial. Deu mais dois passos, ajoelhou uma perna, pegou na conta do rapaz, colocou todo o conjunto em concha nas duas mãos e disse bem alto para que ouvíssemos:

Posso entrar?

Esse homem tinha o dom.

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