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Quem é:

Poeta, romancista e dramaturgo paulista, José Oswald de Sousa Andrade nasce na cidade São Paulo (1890), em uma família rica. Estuda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, em 1912, viaja para a Europa. Em Paris, entra em contato com o futurismo e com a boemia estudantil. De volta a São Paulo, faz jornalismo literário. Em 1917, defende a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato. Ao lado dela, do escritor Mário de Andrade e de outros intelectuais, organiza a Semana de Arte Moderna de 1922. Com Pau-Brasil (1925), junta o nacionalismo às idéias estéticas da Semana de 1922. Em 1926, casa-se com a pintora Tarsila do Amaral. Dois anos depois, radicalizando o movimento nativista, o seu Manifesto Antropofágico propõe que o Brasil devore a cultura estrangeira e crie uma cultura revolucionária própria. Nessa época, rompe com Mário de Andrade, separa-se de Tarsila do Amaral e casa-se com a escritora e militante política Patrícia Galvão, Pagu. De 1931 a 1945, milita no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, em 1933, lança o romance Serafim Ponte Grande. São dele ainda o livro Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) e as peças O Homem e o Cavalo (1934) e O Rei da Vela (1937). Morre em São Paulo, aos 64 anos (1954).
[Fonte]

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Poemas

3 de maio

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi
.

Ditirambo

Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade
.

Ocaso

No anfiteatro de montanhas
Os profetas do Aleijadinho
Monumentalizam a paisagem
As cúpulas brancas dos Passos
E os cocares revirados das palmeiras
São degraus da arte de meu país
Onde ninguém mais subiu

Bíblia de pedra-sabão
Banhada no ouro das minas
.

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
.

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
.

Oferta

Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor

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