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Quem é:

De Taquaritinga, no caminho da estrada de ferro araraquarense, interior de SP, nascido em 1926; morreu em 1998 (SP/SP). Químico formado em Curitiba, sempre manteve também seu lado literário – colaborava com revistas e inúmeros jornais, a partir da segunda metade da década de 40. Tradutor, crítico, ensaísta, é muito conhecido pela sua poesia diversificada – epigramas que brincam com a linguagem e com a realidade, do minimalista ao crítico e irônico e satírico, da positiva nostalgia ao negativismo, do subjetivo ao exterior, do simples ao concreto, versos para quase todos os gostos, poesia para todas as idades: a partir da década de 80, dedica-se ainda a escrever livros também para o público infantil. Em 2008, a Companhia das Letras reuniu sua produção em “Poesia Completa”, livro que nos traz toda a genialidade do grande poeta.

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Poemas

Madrigal

Meu amor é simples, Dora,
como água e o pão.
Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão.

Canção do exílio facilitada

lá?
ah!
sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…
cá?
bah!

À tinta de escrever

Ao teu azul fidalgo mortifica
registrar a notícia, escrever
o bilhete, assinar a promissória
esses filhos do momento. Sonhos

Seu metaláxico

Economiopia
Desenvolvimentir
Utopiada
Consumidoidos
Patriotários
Suicidadãos

Acima de qualquer suspeita


a poesia está morta
mas juro que não fui eu

eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la

imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-
los drummond de andrade manuel bandeira murilo
mendes vladmir maiakóvski joão cabral de melo neto
paul éluard oswald de andrade guillaume appolinaire
sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos

não adiantou nada

em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou
incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada
de ferro araraquarense

porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro
araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece
nunca ter existido

nem eu

Bucólica

O camponês sem terra
Detêm a charrua
E pensa em colheitas
Que nunca serão suas.

Poética


Não sei palavras dúbias. Meu sermão
Chama ao lobo verdugo e ao cordeiro irmão.
Com duas mãos fraternas, cumplicio
A ilha prometida à proa do navio.

A posse é-me aventura sem sentido.
compreendo o pão se dividido.
Não brinco de juiz, não me disfarço em réu.
Aceito meu inferno, mas falo do meu céu

Pisa: A torre

em vão se inclinas pedagogicamente
o mundo jamais compreenderá a obliqüidade dos
bêbados ou o mergulho dos suicidas.


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Em 09/10/2011, fizemos uma segunda homenagem ao grande poeta taquaritinguense. Confira alguns outros grandiosos poemas clicando aqui.

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