Tags

,

Quem é:

Mario (de Miranda) Quintana. 1906 – 1994. Gaúcho de Alegrete e, posteriormente, de Porto Alegre. Alegre era este poeta das coisas simples, do verso fácil e simples, da simplicidade bonita e profunda da vida. Com seus “grandiosos pequenos” poemas e a poesia mais pura em forma de prosa, foi um dos maiores poetas brasileiros. Envolto pela literatura em seus mais diversos campos, consagrou-se também como um importante tradutor e colunista/jornalista do “Correio do Povo” por 24 anos. Traduziu de Proust, Voltaire e Balzac à Conrad, Greene, Huxley e Virginia Woolf. Muito querido também pelo publico infantil, escreveu não só antologias de poemas e prosas poéticas infanto-juvenis como, ainda, uma peça infantil. Foi bastante traduzido e publicado pelo mundo. Morreu aos quase 87, na cidade de Porto Alegre/RS.

-=-=-

Poemas

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

O velho do espelho

 

Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto…é cada vez menos estranho…
Meu Deus, Meu Deus… Parece
Meu velho pai – que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim?!”
Eu, Pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga…

A verdadeira arte de viajar

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.\
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Hai-kais

No meio da ossaria

Uma caveira piscava-me

Havia um vagalume dentro dela.

.

Entre o olhar respeitoso da tia
E o olhar confiante do cão
O menino inventava a poesia…

Dos mundos

Deus criou este mundo. O homem, todavia,
Entrou a desconfiar, cogitabundo…
Decerto não gostou lá muito do que via…
E foi logo inventando o outro mundo.

O pior

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.

Eu escrevi um poema triste

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

=

(Deixe você também seu poema preferido do Quintana aí pelos comentários)

Anúncios