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Livraria do Centro Cultural b_arco e Editora Multifoco

convidam para o lançamento do Naufrágios


 

Naufrágios é o novo livro do poeta, filósofo e performer chinês de origem taiwanesa Chiu Yi Chih. O poeta recentemente naturalizado brasileiro nasceu na ilha de Taiwan, migrou para China, Hong Kong, Macau e veio morar na cidade de São Paulo no final da década de 80. O livro é um percurso visionário pelas grandes metrópoles (TAIPEI-XANGAI-SÃO PAULO-EMBU DAS ARTES) e dialoga com as estranhas conjunções de Oriente-Ocidente. No dia do lançamento haverá o evento A poesia e a sua cidade com leituras e performances de Cláudio Willer (São Paulo), Chiu Yi Chih (Taipei/São Paulo/Embu das Artes), Marcelo Ariel (Cubatão), Flávio Viegas Amoreira (Santos), José Geraldo Neres (Santo André)  e Irael Luziano (Embu das Artes), além de poetas da Associação de Escritores do Embu das Artes.

Prefácio:

Para naufragar, ou para ver naufrágios, é preciso, primeiro, viajar. E o conjunto dos poemas que compõem Naufrágios de Chiu Yi Chih pode ser lido como crônica de viagem; como relato; como se o poeta contasse histórias, passadas, porém, em outra galáxia, éon ou dimensão cósmica. É a impressão que se tem ao ler um poema como “O olho da menina morta” – de que seu autor quer dizer tudo, fazer o relato total do universo, composto por “Fachos ultrapassando o tempo”, com uma “arraia de trinta polegadas”, um “deserto” e “uma mãe-estrela”. Autobiografia, talvez: não de acontecimentos na seqüência cronológica, porém de suas reverberações e ressonâncias na subjetividade, que, por sua vez, de modo fiel à tradição romântica, se confunde com o cosmo. É como se o poeta enxergasse, no Embu das Artes, uma brecha, uma abertura para outras dimensões, imaginadas e ao mesmo tempo reais, em suas experiências de fusão da representação e da percepção.


Chiu se constitui em mais um indício de que algo melhorou neste país. Desde meados da década de 1990, e de modo mais evidente de uns cinco anos para cá, apresenta-se uma nova geração de poetas brasileiros. Os poetas que ousam. Rompendo com poéticas estanques, classificações estabelecidas, receituários e fórmulas de como criar, seu modo dominante de expressar-se é através de imagens poéticas, entendidas como aproximações de realidades distantes, assim rompendo com a lógica do discurso. Mas essa ainda seria uma classificação formal, pelo estilo, na superfície do texto. Expressão surrealista é conseqüência; é o resultado de uma atitude; do exercício pleno da imaginação, como indicado na citação de Breton que é uma das epígrafes deste Naufrágios; da disposição de correr riscos, de queimar pontes, como também indicado em outra das epígrafes, de Nietzsche; conseqüentemente, de naufragar, assim abandonando a superfície das coisas, ao encontro das profundezas nas quais espaço e tempo, realidade e sonho se confundem.

Os novos poetas, aqui tão bem representados, são leitores – entre muitos outros, é claro – de Roberto Piva. Integram a geração ou aquela parte de uma geração que entendeu o que o autor de Paranóia dizia. E Piva certamente teria gostado de escrever o prefácio para este livro de estréia de Chiu, exemplo dessa renovação literária – e seu interlocutor, freqüentador de seus “encontros órficos”, por isso muito bem lembrado e homenageado em poemas de Naufrágios; um deles intitulado, bem a propósito, “Menino Orfeu”.

Aquilo que for observado de fragmentário e descontínuo no verso de Chiu é por ele ir além da relação de significação; querer – daí a espacialidade de alguns dos poemas – que o espaço também signifique. E, principalmente, chegar à linguagem corpo: à superação da contradição entre a esfera simbólica e aquela do mundo das coisas: assim, vai além dos “limites de uma flor sedenta”. Sua escrita é de “palavras que escapam pelos orifícios da pele”, como diz em um dos poemas; daí, também, seu estilo tão próprio, algo performático, de ler poesia em voz alta: expressão total, da qual o poema impresso na página é uma das dimensões.

Não sendo adepto ou seguidor de uma escola ou paradigma fixo, em um contraste apenas aparente com as séries de imagens e frases curtas dispersas na página, Chiu também nos traz extensos blocos de poesia em prosa. Tem a coragem de promover o retorno da escrita automática, como em “Prometeu”. A quem parecer excessivo esse fluxo verbal, é preciso mostrar como cada imagem ou bloco de imagens, tomado isoladamente, é sintético: “O sol / açoita / os dedos da chuva”; ou, no poema em prosa “Vasilhame”, o “vendaval silencioso que inicia a sua árdua corrida.”

Uma de suas imagens tem a forma de pergunta: “é possível o retorno / ao reino das focas e do Velho tigre viscoso?” Evidentemente, para o poeta a resposta é afirmativa.

*Cláudio Willer – poeta, crítico literário, doutor em Literatura Comparada (USP) e tradutor da Obra Completa de Lautréamont e do Uivo de Allen Ginsberg.

29 de março de 2011, terça-feira às 19:00.

Livraria do Centro Cultural b_arco.

Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426

(travessa com a Rua Teodoro Sampaio na altura de 1633) – Bairro Pinheiros – SP


Informações:

http://philomundus.blogspot.com

http://editoramultifoco.pagina-oficial.com/orpheu/?p=316

http://www.obarco.com.br

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